quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Esboço de um fantasma

Curvas de asfalto Entre prédios Esboçando a fuga do fantasma esguio Oculto em catacumbas Assombrosa presença imaginária Vez por outra evocada pelas chuvas Vazante por bueiros Tomando as ruas ruelas becos esquinas calçadas O domínio dos tantos carros Por onde perambulam vultos pedestres apressados Os que ainda se permitem enfrentar sol céu ar poeira E - entre cinzas - o resto de verde do qual não esquecemos Pela imagem distante das encostas verdejantes Onde acorda aquele fantasma a se esgueirar (sorrateiro e nostálgico) nos subterrâneos de um cosme velho e deste bairro um dia tomado por laranjeiras por onde caminho debaixo de chuva chinelos molhados poças e passos Rumoreja aqui sob meus pés - ameaçadora e fascinante - sua ausência quase silêncio quase trovão Rumor que se dilui - se disfarça por entre os ruídos do dia em suave e sutil murmúrio memória...

Um comentário: