segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Ânsia
Um amigo me enviou carta de longe. Eu estava longe. Recebi as memórias impregnadas de insegurança, mas encardidas de vontade. Engoli as palavras com gosto - senti as linhas entre meus dentes, as vírgulas, as reticências e exclamações rasgando minha goela abaixo... as interrogações me coçando a língua... Deu-me uma ânsia - uma ânsia de regurgitar outras palavras, palavras entranhadas das minhas memórias incendiadas pelas dele... palavras arqueológicas, guturais, escavadas das grutas do meu corpo marcado, por dentro e por fora, pelos meus tempos infantis de Santa Teresa... para onde volto agora: onde caminho cansado por uma de suas ladeiras a encontrar, vazando do asfalto, paralelepídedos fugidios reverberando minhas pegadas de garoto por outras ladeiras. Reverbera, por baixo de mim, o espectro daquele rio escondido entre laranjeiras - as laranjeiras que deixo para trás... para refazer o caminho ao alto do morro de Teresa e reecontrar as nascentes das águas que me empurraram até aqui.
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Manero. Maldito!
ResponderExcluirAguardo resposta :) Abração!
ResponderExcluirSe esquivou da resposta, né Evangelho? Teresa lhe rogará uma praga.
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