sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Manuscrito

Segundo fragmento:

E nem mais se fazia fingir esperar a nau gaivota que girava horizonte e quebrava na praia qual onda, era barco danado, náufrago, cheio de carne putrefata de homens mortos e vivos de peles escuras, era a nau fracassada que partira de costa d'áfrica e fez-se tábuas largadas em alto mar atlântico e corpos largados em meio do mar até chegar ao rio baía de guanabara onde antes outros lusos já se haviam aventurado para fazer pelas baixas e pelos morros cidade nova ao redor de rios outros estes de verdade que nem eram guanabara e mal sabiam eles que pouco importava porque o nome era para ser de rio mesmo, enquanto o cheiro de podridão da carne morta e cansada já incomodava, mas, não, porque a cidade já tinha o cheiro podre do esgoto que se juntava beira-rio e beira-mar, e diz-se enquanto isso um sobrevivente da cor mais negra embrenhou-se na mata com o plano de matar el rei que diziam ia voltar mas não voltava e diziam ia voltar e não voltava, mas se voltasse ele estava ali e matava el rei de novo, e ele se escondia sob as águas do rio que chamavam carioca cantando uma música escura que nem ele, tomou para si o nome sebastião.

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