Diziam que Mãe Gorda, antes de ser gente e mãe de todos, fora sereia e por isso era conhecedora dos Mistérios. Negra de braços roliços, ria balançando os ombros com encanto suficiente para florescer qualquer rosto fechado, coração apertado ou esperança perdida. Seus poderes eram conhecidos por toda a região, respeitados e temidos. Às vezes era procurada por alguém que queria trazer a pessoa amada de volta, outras porque precisavam entrar em contato com o lado mais negro da humanidade. Não negava ajuda a ninguém, fosse para aplicar os ensinamentos da Igreja, dos orixás ou da vida. Assim, batizou e iniciou o catecismo da filha da Dona Dulcinha; curou as dores crônicas que José sentia no peito e os joanetes de seus dois ajudantes; psicografou mensagens para Tião de sua esposa que o acalmaram significativamente - o pobre homem havia caído em tristeza profunda e só mostrou sinais de recuperação depois das consultas. Diante de um choro de desespero, fechava os olhos e puxava a pessoa com a palma da mão, branca e incompreensível, para um abraço macio por baixo das axilas com cheiro de Leite de Rosas e contra os grandes seios. Com sua voz aveludada como uma colcha dizia: "Dorme, meu filho".
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